terça-feira, 23 de novembro de 2010

amamentação e autonomia da mulher

Instigada pela reportagem da "mãe vaca" e pelas respostas publicadas no Blog do Cacá e Mamíferas resolvi me pronunciar sobre o assunto mais uma vez. A pergunta central que está no debate é se a amamentação é um direito ou um dever das mulheres. A matéria que avivou a polêmica questiona nossa possibilidade de escolher tendo em vista as campanhas que estimulam o aleitamento materno e as orientações da OMS e Ministério da Saúde. Não sei se todo mundo que lê o blog sabe, mas eu me considero feminista, sendo assim, acredito que cada mulher tem todo o direito de resolver o que quer e o que deve fazer com o próprio corpo. E é a partir daí e da minha experiência como mãe que ainda amamenta (Tito está com 1 ano e 3 meses e mama todos os dias antes de dormir) que faço minhas reflexões.

Antes de ter o Tito, amamentar não era uma questão. Lembro de mim, já grávida, falando com uma amiga, mãe de duas meninas, que amamentaria no máximo até o 5º mês do bebê e olhe lá. Ela, que vem amamentando sua segunda filha por mais de 2 anos, olhava e calava frente a minha convicção. Depois que o/a bebê nasce e vira seu/sua filho/a, são outros quinhentos. Na verdade, hoje em dia pra mim é difícil entender as mães que optam, conscientemente, por não amamentar pelo menos 6 meses ou aquelas que não insistem em dar o peito e acabam na mamadeira logo no início.

Enfim, sei que cada experiência é muito diferente e que, como me disse uma outra amiga dia desses, nunca conseguimos entender de fato a dor do outro. Mas também acho que gravidez + ter filho/a pode ser uma oportunidade fantástica de confrontar valores, fazer um movimento maior para mudar, para se transformar de fato. Enfim, eu que não queria amamentar estou aí até hoje, depois de muitos empedramentos e passada a fase de 10/ 12 mamadas por dia. É exaustivo sim, é bem difícil para a maioria das mulheres com quem converso e é claro que não vale a pena fazer só por obrigação. Por mais que façamos propaganda dos benefícios nutricionais e da importância para a criação do vínculo mãe-bebê etc, nós somos seres humanos e não vacas, como fala a matéria, portanto precisamos saber e acreditar no que estamos fazendo, encontrar essa disponibilidade para o outro dentro de nós. Sem ela, nada vale a pena no que se refere à maternidade. Mas é claro que nem todo mundo irá encontrá-la através da amamentação. Nisso, estão em jogo tantas coisas (nossa relação com o próprio corpo, nossa relação com marido/ companheiro, nossa relação com nossas famílias e o que ouvimos de nossas mães, sogras e outros familiares). Enfim, muita coisa faz com que nos preparemos bem ou mal para esse momento e possamos fazer nossas escolhas.

Amamentar ou não é invariavelmente uma escolha individual, pessoal e instransferível. E acho que ninguém deveria se sentir culpada por não amamentar, apesar de toda a pressão social para isso. Mas, em contrapartida, uma orientação governamental, uma política pública como aquela em que se inserem as campanhas e manuais para amamentação, deve também fazer uma escolha. E, na minha opinião, a atual escolha do Ministério da Saúde nessa área vem sendo muito acertada.

É preciso dar mais informação e estimular mais o aleitamento materno através de campanhas de massa. Só assim faremos frente às constantes propagandes de leite em pó e farináceos que são a 5ª maravilha e resolvem todos os problemas nutricionais de nossas crianças (para quem pode e quer pagar!). Se vivemos em uma sociedade que divulga como valor central incessantemente o individualismo e o corpo jovem e plastificado como algo positivo, temos também que fazer contra-propaganda para sabermos dos significados positivos da escolha pela amamentação para nossos/as filhos/as durante um período de nossas vidas. Os contra-pontos serão feitos por cada uma de nós, de acordo com nossos valores, relações, sentimentos e experiências. Mas um primeiro passo para o coletivo tem que ser dado mesmo pelo governo e acho que campanhas, informações, médicos/as e profissionais de saúde preparados para lidar com as delicadezas da questão e licença maternidade maior assegurada para todas (e se possível, todos) deveria sim ser um direito de todas nós mulheres para que, aí sim, cada uma possa de fato escolher.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

em frangalhos

Acho que já disse aqui que Tito anda super agarrado comigo. Há quem diga que é da idade (quase 1 ano e 3 meses). Espero que seja e que passe logo. Nunca me senti tão indispensável na vida de ninguém, nem na da minha mãe! E é lindo e totalmente desesperador não poder ser tudo que o outro quer e espera de você. É claro que ao longo da vida lidamos com esse limite extremo várias vezes e de várias maneiras, mas tudo com filho é bem mais radical. Hoje a manhã foi estressante: Tito só queria meu colo o tempo todo (não consegui nem tomar banho antes de sair), culminando com uma garrafa quebrada do lado dele (por ele), mas sem machucar, graças aos deuses, e com uma entrada horrível na escola!  Ele no meu colo sem querer sair, a professora pegando ele e demorando muito para entrar. Resultado: beiço e berreiro e o posterior surto da mãe. Muito muito difícil a maternidade, muitas vezes beirando o impossível. Sorte que meu filho é o Tito, o mais fantástico, alegre e bacana do mundo!
Mas, nesse contexto, o que fazer com o resto da minha vida? Onde é que cabe tudo que não é ele? E meus estudos? Meu trabalho? Meu doutorado? Minhas outras aspirações? Às vezes isso tudo parece ainda mais distante e até mesmo impossível! Sei que estou num dia pessimista, mas só pra dizer que ser mãe e ser pai é bem complicado mesmo. Muitas vezes!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

cheio de dentes

Tito foi ontem à pediatra com o pai por conta de uma tosse que persiste há umas 3 semanas. Causa provável: muitos dentes à vista ao mesmo tempo! Nunca desconfiaria de uma coisa dessas!!!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Férias com Tito

Gustavo tirou um mês de férias e eu consegui tirar duas semanas! Entre nosso período de descanso, programamos nossa segunda viagem de avião com o Tito para Maceió. Por uma feliz coincidência fomos com avós Ana e Paulo e tia Cris. A viagem foi ótima, fez sol praticamente toda semana que ficamos por lá e passeamos bastante. Infelizmente, Tito começou com um resfriado bem na véspera de nossa viagem, chegou a ter até febre. Lá ficou só com nariz escorrendo, meio remelento e, depois de uns dias, tosse. Não sabemos se pelo mal estar da doença ou pelo estranhamento da rotina/ lugar (ou ambos) ele ficou bem irritado boa parte do tempo. Reclamando, gritando, só querendo ficar no colo e muito grudado comigo. Conseguimos aproveitar anyway, mas foi bem punk. O bom foi que, apesar do cansaço físico (e um pouco emocional tb pq filho chorando full time é dose!), deu para sair de casa e dar um tempo na rotina de arrumação, fazer comida etc. As fotos estão  aqui. Fizemos um videozinho (abaixo) dele com o Tavo na praia na véspera da nossa volta, dia em que ele ficou mais bem humorado. Mas não me entendam mal, em público ele até que esteve bem, o negócio pegava mais no quarto ou quando ele ficava com sono/ cansado. Mas foto e vídeo são bons por isso: ajudam a gente a lembrar só da parte boa das coisas!

Tito na praia

video

no casamento dos tios Joana e Miguel

Tito se comportou lindamente no casamento dos tios Joana e Miguel no início de outubro. Além disso estava lindo com roupinha Bebê Básico, Isabela Capeto para C&A e sapatinhos amarelos Babu Uabu (mamãe pode dar consultoria de moda infantil!). Aproveitamos muito em família e Tito, que adora uma percurssão, ficou bem entusiasmado com a roda de samba que rolou no casório (veja os instrumentos na mão do pequeno) com direito à canja da tia Jô, é claro!
Tito em família, faltou só o papai na foto (e tb a mamãe não resolver falar bem na hora do clique!)!
Aproveitando a roda de samba do casamento no colo do vô Sergio, pertinho da Paulinha e do noivo, tio Miguel!