sexta-feira, 26 de março de 2010

reflexões

Hoje deu vontade de escrever. Estava voltando agora da escola, onde deixei o Tito e fiquei vendo tantas outras criancinhas entrando e saindo das creches das redondezas e pensei em conversas que tive recentamente com tia Ângela (sempre ela!!!) e com uma vizinha sobre o que as escolas (desde a educação infantil) vêm se tornando (claro que não todas, mas parece ser uma tendência). Elas vêm se tornando mini empresas! Cada vez mais impessoais e cheias de tecnologia inútil que ao invés de trazer para perto, afasta. Elas vendem para mães e pais um modo que busca formar empreendedores e profissionais bem sucedidos. O que é isso?! No meu meio, e eu trabalho há uns 12 anos em ONG, empreendedorismo é uma das palavras mais gastas que eu posso pensar. Serve para qualquer coisa e justifica iniciativas muito legais, mas também projetos sociais que só servem para empresas e afins dizerem pro mundo que fazem algum tipo de "trabalho social". Muitas vezes, ajuda a jogar para adolescentes e jovens a responsabilidade pelo seu fracasso ao não encontrar (ou inventar!) uma maneira de ganhar dinheito, desconsiderando um contexto social e econômico que conforma as chances reais que eles(as) têm de ter ou não sucesso nessa praia... Enfim, não acredito nessa idéia e acho que ela, também nas escolas, está servindo para justificar uma maneira fria, distante e que nada tem a ver com educar.

E aí vem a pergunta: para que educamos nossos(as) filhos(as)? Posso responder por mim, apesar de saber que as respostas não são simples. Sei que não educo meu filho para ser um profissional de sucesso (sobretudo esse sucesso tão cultuado em nossa sociedade). Se ele quiser ser um profissional de alguma coisa, pode escolher bem mais tarde e não na turma da educação infantil. Quero, é claro, que ele seja FELIZ e pra mim felicidade nunca teve nada a ver com o quanto se ganha. Tenho tido a sorte de conhecer pessoaos felizes e infelizes em todas as classes sociais. Claro que quero que ele tenha o suficiente para viver sem aperto, mas também quero muito que ele tenha relações saudáveis com sua família e amigos(as), que possa ter relações afetivas com pessoas legais, que seja alguém capaz de equilibrar trabalho e amor, o emocional e o intelectual, sem deixar de lado o espirutual... Eu quero tantas coisas pro meu filho, acreditando querer que ele seja feliz, que certamento uma idéia não seria capaz de traduzir. Eu quero uma escola que nos ajude a passar pro Tito VALORES que eu julgo essenciais para que ele seja uma boa pessoa e para que seja uma pessoa feliz e esses valores não tem nada a ver com aquela história de empreendedorimo e tudo que daí deriva. Quero solidariedade, respeito, educação, tranquilidade, espiritualidade, uma aposta maior nas pessoas e não nas coisas, igualdade, diversidade, justiça social... Nada disso se aprende só na escola ou só em casa, mas sabemos que educação e família podem jogar papéis fundamentais. Quando a escola escolhe ajudar a cuidar e a educar (e não um jeito de vender seu peixe a todo custo), ela já está formando mães, pais e crianças. Quando eu era pequena (eu tinha uns 7 anos), minha mãe escolheu me colocar em uma escola pública de ótima qualidade (CAP/ Uerj) e até hoje agradeço a ela por isso porque eu sei que devo ao convívio com as diferenças e aos espaços abertos lá e pelas minhas famílias o fato de buscar ser uma pessoa legal, comprometida com as coisas nas quais acredito e que tenta contribuir para vivermos num mundo menos desigual e injusto. No fundo, é isso que quero também pro Tito. Por enquanto, e pelo pouco que vi e vivi da escola onde ele está, acho que tem espaço pra isso lá e fico muito feliz por termos feito essa escolha para o Tito e para nós!

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